30 MARÇO [10h30]
Almodôvar  
Tesouros ocultos da natureza: preservar os invertebrados da ribeira do Vascão

Descobrir o mundo extraordinário dos invertebrados e compreender a sua importância nos ecossistemas são os objectivos desta acção. A fauna de invertebrados aquáticos permite aferir o estado de conservação das linhas de água. Vai testar-se a qualidade ecológica da Ribeira do Vascão, um verdadeiro laboratório vivo; para tal, serão recolhidas amostras de fauna aquática, com objectivos de observação, identificação e caracterização. Celebrando ainda a recente classificação deste curso de água como Zona Húmida de Importância Internacional (Convenção de Ramsar) [www.ramsar.org], realizar-se-á um percurso para observação de libélulas e libelinhas, grupo que contribuiu para a integração da ribeira na Rede Natura 2000. O percurso será guiado por especialistas.
Colaboração: Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, Departamento de Conservação da Natureza e das Florestas do Alentejo (Parque Natural do Vale do Guadiana); Universidade do Algarve; Somincor, S.A.
Apoio: Câmara Municipal de Almodôvar

13 ABRIL [10h30]
Grândola 
Com os olhos no futuro: assegurar a renovação do montado de sobro

O montado de sobro constitui um ecossistema que resulta de vários séculos de intervenção humana. Ciente da fragilidade dessa convivência, o produtor florestal que visitamos desenvolveu técnicas culturais para a renovação e enriquecimento do sistema. A acção alerta para temáticas fundamentais à conservação do solo, da água e do sistema radicular dos sobreiros e, consequentemente, à promoção da biodiversidade; decorrerá na Herdade das Barradas da Serra. Desenvolvem-se aqui técnicas de controlo de matos sem revirar o solo e de protecção deste mesmo solo na área da projecção da copa dos sobreiros. Outras iniciativas no campo da defesa da biodiversidade dizem respeito à construção de refúgios e esconderijos da fauna selvagem, à sinalização com vista a uma preservação de sebes/arbustos naturais para abrigo e nidificação e, ainda, à construção de pontos de água. Paralelamente, decorrerão actividades de descoberta da natureza dirigidas às crianças e o apadrinhamento de sobreiros centenários.
Colaboração: Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, Departamento de Conservação da Natureza e das Florestas do Alentejo (Parque Natural do Vale do Guadiana); Herdade das Barradas da Serra
Apoio: Agrupamento de Escolas de Grândola; Câmara Municipal de Grândola

27 ABRIL [10h30]
Santiago do Cacém  
O potencial ecoturístico do litoral português: gerir sensibilidades, suscitar equilíbrios

A Reserva Natural das Lagoas de Santo André e Sancha é uma Área Protegida com elevado potencial ecoturístico. Perspectivar o papel do turismo ecológico na conservação da biodiversidade, é o objectivo desta acção, que culminará na realização do recentemente inaugurado Percurso do Salgueiral da Galiza. Trata-se de um bosque de salgueiros, de grande qualidade e raridade no contexto das zonas húmidas do Sul de Portugal, cuja valorização significa um verdadeiro repto para a comunidade. Forma uma galeria contínua, com ca. 1000 m de extensão e integra milhares de salgueiros, em diversos estádios de desenvolvimento, que estendem as raízes à superfície do solo, formando uma rede radicular suspensa de dimensão invulgar. A flora do salgueiral mostra-se rica em espécies raras da flora, nomeadamente o Thelypteris palustris, feto de grande porte. No que concerne à fauna, é manifesta a sua importância enquanto local tanto de nidificação e repouso de aves, como de abrigo e alimentação de mamíferos, sendo ainda importante para a reprodução de anfíbios. O percurso inclui um passadiço sobrelevado, com ca. 640 m de comprimento, dotado de estruturas de observação e informação.
Colaboração: Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, Departamento de Conservação da Natureza e das Florestas do Alentejo (Reserva Natural das Lagoas de Santo André e Sancha); Turismo do Alentejo, E.R.T.
Apoio: Câmara Municipal de Santiago do Cacém

11 MAIO [10h30]
Beja  
O azinhal e as alterações climáticas no Baixo Alentejo: uma vanguarda contra a desertificação

O montado de azinho é considerado pelos especialistas, nacionais e internacionais, como uma barreira de primeira ordem ao avanço da desertificação em Portugal, mas precisa de medidas de incentivo à sua defesa. Actualmente, este ecossistema encontra-se em franca regressão, fruto de más práticas culturais, problemas fitossanitários e perda de vitalidade económica, que se traduziram na diminuição de mais de 10 000 hectares dos respectivos povoamentos nos últimos 15 anos. A situação pode tornar-se catastrófica. Como inverter este ciclo? De que forma poderá o consumidor dos produtos do montado ajudar na manutenção deste importante sistema? O regime pecuário e a exploração de lenha de azinho são dois dos temas a abordar na presente iniciativa. Os participantes serão convidados a reconhecer as boas (e as más) práticas na poda da azinheira e a identificar os diferentes sistemas pecuários e os respectivos efeito no montado. A actividade incidirá na visita a explorações agro-silvo-pastoris, associadas ao Sítio da Rede Natura Guadiana.
Colaboração: Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, Ponto Focal da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação e Parque Natural do Vale do Guadiana
Apoio: Câmara Municipal de Beja; Instituto Politécnico de Beja, Escola Superior Agrária

17 E 18 MAIO
Castro Verde  
Acção Nocturna: Seguindo a via láctea: céu estrelado e fauna nocturna (17 de maio, 23h30)

Percurso nocturno de observação de fauna e estrelas. Quando o céu se põe no horizonte, inicia-se a actividade da fauna nocturna. Os participantes são convidados a vivenciar, de perto, os sons e as sensações da noite, num percurso de observação de insectos, anfíbios, morcegos e aves de rapina nocturnos. No escuro, o som é, muitas vezes, o melhor aliado dos biólogos, permitindo identificar as espécies; para tal, recorre-se a métodos como a gravação ou a detecção de ultra-sons, técnicas que serão dadas a conhecer aos participantes. A sessão nocturna termina com uma observação de estrelas.
Acção Diurna: Hortas no mediterrâneo: um depósito estratégico de biodiversidade (18 de Maio, 10h00)
Em 2014, comemora-se o Ano Internacional da Agricultura Familiar, um sinal notável de reconhecimento à contribuição desta actividade económica e social para a segurança alimentar e a erradicação da pobreza no mundo. O Festival Terras sem Sombra associa-se à efeméride, promovendo uma acção nas hortas comunitárias de Castro Verde. A participação em tarefas quotidianas da horta (cavar, semear, regar, colher) e a inventariação da biodiversidade das hortas (sementes, cultivares, insectos, aves) são as acções previstas. No final, será promovida a troca de sementes e cultivares tradicionais da região, como o pau-roxo.
Colaboração: Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, Departamento de Conservação da Natureza e das Florestas do Alentejo (Parque Natural do Vale do Guadiana); Liga para a Protecção da Natureza
Apoio: Câmara Municipal de Castro Verde

8 JUNHO [10h30]
Sines  
Para uma gestão sustentável do litoral: a tempestade hércules e o percebe

A gestão do litoral português é uma temática deveras actual. Se, por um lado, se coloca a necessidade de desenvolver métodos participativos de gestão de recursos do litoral (co-gestão), dos quais temos exemplos bastante encorajadores na Galiza, por outro lado, as recentes tempestades atlânticas, com destaque para a tempestade Hércules, realçam a necessidade de ordenar espaços e utilizações do território costeiro. No primeiro caso, o percebe, crustáceo cirrípede do litoral português, muito apreciado e valorizado, é um dos recursos que carece de gestão adequada. A Universidade de Évora está a desenvolver o projecto PERCEBES – Gestão, Ecologia e Conservação do Percebe, no âmbito do qual se manifesta a necessidade de uma gestão participada dos recursos costeiros. Os participantes vão compreender a ecologia do percebe, mediante a observação das suas características à lupa binocular. Quanto ao segundo caso, os participantes vão poder observar algumas das consequências da tempestade Hércules, que ocorreu em Janeiro passado. Neste sentido, desenvolve-se uma acção de recolha de lixo marítimo, por voluntários, na Lagoa da Sancha, zona húmida que, até esse mês, não contactava com o mar há 40 anos. Será uma oportunidade para sensibilizar e actuar no tema preocupante do lixo marítimo.
Colaboração: Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, Departamento de Conservação da Natureza e das Florestas do Alentejo (Parque Natural do Vale do Guadiana); Universidade de Évora, Centro de Oceanografia, Laboratório de Ciências do Mar (CIEMAR)
Apoio: Administração do Porto de Sines; Câmara Municipal de Sines; Santa Casa da Misericórdia de Sines

29 JUNHO [10h30]
Moura  
Olivais, matos e grutas: no coração da serra da adiça

O concelho de Moura é vasto em riquezas naturais, montados, matagais, estepes, rios e ribeiras. Neste depositário de biodiversidade, as “serras” constituem formações verdadeiramente excepcionais, apresentando relevos de rochas calcárias no seio de formações xistosas. Adiça, Álamo, Ficalho, Serra Alta e Malpique são apenas alguns dos nomes dos cumes destas serras calcárias, que vamos identificar e interpretar na paisagem circundante. Ao longo de um percurso, observaremos as variações na flora dominante e a sua diversificação, com a passagem das terras de xisto para os calcários de serra. Os montados dão lugar aos olivais tradicionais, imbricados nas vertentes (célebres pelo azeite de Moura), até chegar ao cume, onde os matagais não permitem penetração humana. Por outro lado, os topos das serras constituem corredores ecológicos, autênticas “vias verdes” para a fauna bravia. Neste quadro, tomaremos contacto com o projecto da Liga para a Protecção da Natureza relativo ao lince-ibérico e com as acções de promoção de corredores entre manchas de olival de serra. De passagem, entraremos na realidade subterrânea. As serras estão repletas de grutas e cavidades naturais e incluem um dos abrigos mais importantes do país para morcegos cavernícolas, abrigando colónias de várias espécies, tais como o morcego-de-ferradura-mourisco e o morcego-rato-grande. Devido a estas características, encontram.se classificadas a nível europeu, constituindo o Sítio “Moura-Barrancos” da Rede Natura 2000.
Colaboração: Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, Departamento de Conservação da Natureza e das Florestas do Alentejo (Parque Natural do Vale do Guadiana); Liga para a Protecção da Natureza; Associação para o Desenvolvimento do Concelho de Moura
Apoio: Câmara Municipal de Moura

As iniciativas de salvaguarda da biodiversidade são gratuitas e abertas à comunidade, não havendo necessidade de inscrição prévia.

Download do programa de actividades.