Biodiversidade

Salvaguarda da Biodiversidade do Alentejo Meridional

Funcionando, ao mesmo tempo, como causa e como efeito de um novo capítulo na vida artística, cultural e religiosa do Alentejo, o Festival Terras sem Sombra tem, na sua génese, uma reunião de sinergias, pouco vulgar entre nós, que permite muitas formas de ver e, principalmente, de sentir o seu território – um espaço onde marcam presença idiossincrasias e patrimónios diversos, mas complementares.

Tanto a multiplicidade como a pluralidade de perspectivas são, de resto, esteios fundamentais de uma proposta que, independentemente de se haver tornado já um dos rostos mais conhecidos da região, não existe só por si, nem se centra exclusivamente no universo da Ars Sacra. Pelo contrário, abre-se a causas relevantes para a sociedade actual, onde o voluntariado possa despertar pequenos gestos que ajudem a “marcar a diferença”. Possuidor de um formidável conjunto de recursos biodiversos, o nosso país enfrenta neste momento grandes responsabilidades, a nível global, para conservá-los e valorizá-los adequadamente, tarefa – nunca é demais lembrá-lo – que assume a maior relevância no Alentejo, um dos territórios com mais altos índices de preservação do Sul da Europa, mas onde a desertificação do interior rural e a concentração de habitantes e actividades no litoral levantam grandes desafios.

Ao abrigo de um protocolo de cooperação com o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território), os municípios e outras instituições presentes no terreno, o FTSS promove, no dia seguinte a cada concerto, acções-piloto para a salvaguarda da biodiversidade. Estas iniciativas permitem que voluntários de origens ou perfis muito diversos – músicos, espectadores, staff, membros das comunidades locais, etc. – colaborem, ombro com ombro, em actividades úteis à conservação da natureza, actividades simples, mas que encerram toda uma mensagem dirigida aos decisores e à opinião pública.

Em 2014, comemora-se o Ano Internacional da Agricultura Familiar, um sinal notável de reconhecimento à contribuição desta actividade económica e social para a segurança alimentar e a erradicação da pobreza no mundo. O Festival Terras sem Sombra associa-se à efeméride, promovendo uma acção nas hortas comunitárias de Castro Verde. A participação em tarefas quotidianas da horta (cavar, semear, regar, colher) e a inventariação da biodiversidade das hortas (sementes, cultivares, insectos, aves) são as acções previstas.