- Património e Região

Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja

Fundado em 1984, desenvolve uma acção pioneira na salvaguarda e dinamização do património religioso. Entre as muitas áreas de trabalho da sua equipa, constituída essencialmente por voluntários, destacam-se: inventariação dos bens culturais religiosos; acções de formação e sensibilização patrimonial para as comunidades, em colaboração com o Ministério da Cultura e a Polícia Judiciária; criação de um núcleo de aconselhamento técnico; instituição de comissões locais de salvaguarda em cada uma das igrejas que, após restauro, passaram a ser abertas ao público; apoio a itinerários culturais que unem esses monumentos por áreas e temáticas; entrada em funcionamento de uma rede diocesana de museus, com sete unidades (Santiago do Cacém, Cuba, Castro Verde, Sines, Moura, Beja); realização de exposições no país e no estrangeiro (Regensburg, Roma, Saragoça, Lyon).

A isto une-se uma actividade editorial intensa (47 títulos publicados), além do lançamento do Festival Terras sem Sombra e da Associação Pedra Angular – Amigos dos Monumentos, Obras de Arte e Museus da Diocese de Beja (com cerca de duas centenas de voluntários dispersos pela Diocese).

O Departamento tem sido distinguido com vários prémios, entre os quais se destacam os seguintes: Medalha de Mérito Municipal, atribuída pelo Município de Beja em 1999; Prémio Prof. Reynaldo dos Santos, atribuição pela Federação Nacional de Museus em 2000; Prémio da APOM – Associação Portuguesa de Museologia (2001); Medalha de Mérito Cultural, atribuída em 2004 pelo Ministério da Cultura; Prémio Europa Nostra para a Salvaguarda do Património Cultural, atribuído em 2005 pela União Europeia; Prémio Vasco Vil’Alva para a Salvaguarda do Património, atribuído em 2009 pela Fundação Calouste Gulbenkian. Prémio Árvore da Vida – P. Manuel Antunes, atribuído em 2010 pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Conferência Episcopal Portuguesa.

A Diocese de Beja

Fundada no século V, a Diocese de Beja é uma das mais antigas de Portugal. Entre os seus bispos da época paleocristã contaram-se figuras de grande prestígio, como Santo Apríngio. Após a ocupação muçulmana (séc. IX) foi extinta. Restabelecida em 1770, teve como primeiro bispo D. Fr. Manuel do Cenáculo, vulto marcante do Iluminismo.

Outro bispo, D. António Xavier de Sousa Monteiro, que exerceu o pontificado numa fase marcante do séc. XIX, deixou vasta obra como compositor e historiador da arte. Perto dos nossos dias sobressaiu a actividade de D. Manuel Franco Falcão, pioneiro da Sociologia Religiosa, jornalista e mecenas dos artistas. Actualmente com cerca de 12 300 km2 de área, Beja é a segunda diocese mais extensa do País, correspondendo a um terço do território nacional, e faz parte da zona transição do Atlântico para o Mediterrâneo. Possui um património extremamente rico e diversificado, incluindo cerca de 400 monumentos, entre igrejas, ermidas, capelas, conventos e mosteiros. Tem sido feito um esforço notável, nas últimas décadas, para defender e valorizar este conjunto de valores em que o Cristianismo anda a par do Judaísmo e do Islão, o que faz do Baixo Alentejo um espaço particularmente interessante do ponto de vista ecuménico.